Quinta-feira, Março 23, 2006




Tudo começou com um programa em que a ideia era colocar um bando de pessoas anónimas que aparentemente de artistas tinham muito pouco, numa casa e vigiar todos eles durante 24h por dia. Ai surgiu a moda da tia "Teresa" de fazer casamentos em praça pública, virou moda ver sexo em horário nobre, pontapés entre concorrentes e até pedidos de casamentos.
Passada esta moda que ainda durou 1 ano ( se não estou em erro), surgiu o programa que punha pseudo-vedetas a limpar caca de galinha, a fazer "ai ui ai ui" quando precisavam ir a casa de banho entre muitas outras parvoíces que só lembra mesmo a TVI.
Depois surgiu o programa da continência, que obrigava mais umas quantas pseudo vedetas a correrem de cuecas, para se ajoelharem aos pseudo instrutores e a fazerem a fazer continência a toda a hora e todo o minuto.

Como já não bastava todos estes programas de lixo, só faltava mesmo o programa mestre em que obriga as pseudo vedetas a fazerem de palhaços. E é aqui que eu me questiono, nos outros programas eles já não eram palhaços? É preciso fazerem mais um programa de 4 mes para termos mesmo a certeza?

Até tenho medo, do que vem a seguir, foi a TVI não cansa de nós surpreender e sempre pela negativa, cada um pior que o outro.

Onde estão os programas de qualidade que outras estações europeias já nos habituaram? Serão assim tão caros esses programas que não possam ser emitidos em Portugal? Ou será que o público português come realmente toda a porcaria que lhe dão e não reclama?

Enfim acho que a televisão portuguesa nunca esteve tão má como agora, será que conseguiremos descer mais baixo que isto?


A tricotadeira

Quarta-feira, Março 22, 2006









Laura em Graça


“O melhor documentário que vocês podem ter é a vossa própria vida”.
E foi mais ou menos por estas palavras que me ensinaram o que é o Documentário.
Para além dos David’s Attenborough’s e Jacques Cousteau’s desta vida, o documentário é para mim a maneira mais completa de se contar uma história. Posicionando-o num mapa, fica entre a Grande Reportagem e o Cinema. Conta-se uma história verdadeira, filtrada pela percepção do realizador/argumentista/investigador/ser humano que nos guia durante os minutos do dito.
Para quem não viu, o documentário sobre Laura Soveral que passou na RTP 1 na noite de 21 de Março, prova que este género pode transmitir sensações muito mais intensas e humanas do que mostrar como os macacos comem formigas com um pauzinho ou do que ver Michael Moore a vomitar as suas teorias.
O documentário sobre a Laura Soveral é Simples, é Honesto, é Humano porque revela a natureza das relações, das escolhas da vida – por vezes banais, outras decisivas - e de como todos nós somos e estamos vulneráveis. A vida desta grande personalidade portuguesa é retractada pelas rugas que lhe definem os dedos, pelo olhar, pelas palavras meigas dos amigos, pelo cabelo molhado ao sair do chuveiro e pela infinita doçura da sua voz, tudo envolvido por uma luz suave, meia melancólica, meia urbana.
Ao chegar ao fim, o espectador sente-se reconfortado, recompensado, inspirado. Pois, quando se vê um belíssimo trabalho é este o sentimento que se tem. “Foi bom, não foi de mais, nem de menos. Foi na exacta medida”.
Não sou crítica de cinema. Este texto não vai aparecer amanhã no Público, nem vai fazer parte do suplemento da Visão. Não tenho peso na comunidade cinematográfica portuguesa.
O que eu sei é que um dia me disseram: “Acho que devias fazer terapia, porque gostas muito de falar. Ia fazer-te bem!” Ao que eu hoje respondo: são coisas assim que são a minha terapia e espero que através desta minha verborreia sincera ter explicado o quanto eu te admiro, Graça.

* imagem retirada do site RTP

A Costureira

Domingo, Fevereiro 05, 2006

Alanice

Alanice quando nasceu tinha o cabelo mais longo que alguma vez alguém tinha visto!
Alanice era precoce e acutilante nas palavras e nos gestos. Inteligente e bonita desde logo revolucionou conceitos, ideias e tendências. Poucos eram aqueles que não se renderam ao sentido de oportunidade e pertinência do que dizia.
Alanice cresceu, ganhou respeito, ganhou a admiração dos mais velhos e dos mais novos. Conseguiu que as suas ideias perdurassem para além da sua vida física e fossem recordadas pelos filhos, dos seus filhos, dos seus filhos.
Tudo ia bem até ao dia em que Alanice cometeu uma tolice:


Alanice, como fizeste tamanha burrice!
A Costureira

Não foi Jonh Travlota, não foram os Bee Gees, foi só o Júlio Isidro como a gente sempre o quis!

Numa noite de Inverno, do alto de um terceiro andar, Mãe e Filha conversam ao aquecedor enquanto vêem televisão:
- Epá devíamos ter ido! – dizia a Filha
- Mas hoje devia ter sido uma grande confusão, com o jogo do Benfica e a chover e tudo…
- Mas devíamos ter ido, devia ter sido muito giro!
- Aqui também estamos bem! – convence a Mãe.
- Parece quando foi o Paul Macartney! Pela primeira vez na minha vida quem sabia a letra das canções eras tu! Mas foi muito giro, não foi?

E a noite foi passando…

- Eu não acredito, como aquele gajo está tão diferente!!
- Tá todo careca e o outro tem o cabelo todo branco!
- Olha o baterista já está a deitar os bofes pela boca!
- Olha, olha aquele rapaz no público a dançar com os braços no ar!!..... e olha aquelas ali, olha, olha, olha!!!!!
AH AH AH AH AH!

E o programa na televisão ia ficando cada vez mais interessante…

- Olha as imagens! Que vídeo clip mais manhoso! Olha só as roupas!
- Antigamente era mesmo assim! Opá, e esta rapariga que se perdeu… cantava tão bem! O Rui, que nesta altura cantava tão bem!
- Olha o Carlos Paião, tenho um disco dele, não é?
- Sim… olha o Playback!

E mais divertido…

- Opa, eu não acredito que eles não vão cantar o Patcholi…
- Vão, tem calma…
- Olha aquela tem um disco dos Jafumega na mão e outra tem um disco da Lena d’Água… As pessoas levaram para ali os discos!!!!!! Eu nunca vi nada assim!
- Olha os miúdos a dançar!
- Olha o Júlio Isidro aos saltinhos!
- Mas este programa era assim uma loucura tão grande?
- Era, eles tiveram de sair do estúdio porque as pessoas já não cabiam e toda a gente queria ver…
- Mas era um programa de rádio…
- Sim, as pessoas queriam ir ver o programa de rádio a ser feito em directo…
- …. Hum…

Mas tudo o que é bom chega ao fim…

- Bem vamo-nos deitar?
- Vamos! Vou lavar os dentes…
… porque eles só querem é nananananna o teu perfume a Patcholi, ó ó ó…
- Olha vamos comprar o disco a meias?

nota: em repetição na RTP1 este domingo à tarde – Febre de Sábado de Manhã.

A Costureira

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

E foi AQUI!...

que se deu um belo de um nó cego nos actos mundanos!

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006


Ultimamente a minha volta só vejo tudo a dobrar...no trabalho este fim de semana foi dedicado o programa a Idosos...mais concretamente a um lar de idosos...estivemos 3 dias num lar...e foi duro...Não por achar que os idosos são tristes, mas porque sofri muito. Quem diz que os velhinhos não cheiram mal...é mentiroso! Foi duro...perceber que na Ala dos homens, o autoclismo não funcionava para nada e que era um mero acessório. Já na ala das senhoras...até cheirava a rosas!
Andamos estes três dias com ambientadores por todo o lado, e chegamos a comprar incensos para colocar nas salas onde trabalhávamos, mas fomos logo avisados pelas funcionárias que não podíamos usar porque era perigoso para os idosos...pois sim...pareceu-nos foi que elas pensavam que aquilo poderia ser alguma coisa relacionado com o "demo".
Lá nos aguentamos 2 dias sem incenso, e os ambientadores não davam para nada...no primeiro dia quase chorei de desespero, por aquele cheiro ser tão intenso e ter que ser obrigado a suportar aquilo.
Pensei para mim, como seria possível as funcionárias trabalharem uma vida inteira naquele local sem sentirem que cheirava mal.
Cheguei de viagem, e deparei-me com um cenário bizarro cá em casa, a minha avó tinha vindo para casa da minha mãe por motivos de saúde.

Primeiro episódio da manhã a minha tia esta presente e faz de tradutora:
- Olha, esta é a "Tricotadeira" a tua neta!
Ao que a minha avó responde:
-..neta? mas de que filho?
A minha tia com toda a paciência do mundo, e eu já a fugir para a cozinha:
-...é a mais nova da tua filha.
Avó responde sem grande certeza:
-...mas qual filha?

E a conversa durou pelo dia fora...à noite outra pessoa da família chega e ela volta a não reconhecer ninguém...e a minha tia com toda a paciência do mundo, continua a fazer de tradutora e de explicadora aos outros que assistem assustados com tais palavras.

Eu sei que chegar a velho. não é tarefa fácil, que é duro que se sofre por não se conseguir fazer determinadas tarefas que antigamente era fáceis de fazer.
Ultimamente tenho ouvido os meus colegas de trabalho a dizer " ...não quero chegar a velho" e por vezes dou-lhes razão, outras nem por isso.



A Tricotadeira

Sábado, Janeiro 14, 2006

"Arruada"















Sexta-feira, 20:30, dentro de um táxi em plena Avenida da Liberdade, quase a chegar ao Marquês, uma voz na rádio relata o dia de campanha das presidenciais.
… a tarde terminou com uma arruada pelas ruas Setúbal….
… Manuel Alegre fechou a tarde com uma arruada pela cidade…
Arruada…
Admito que o cansaço talvez me tivesse toldado o meu sentido auditivo, mas tenho a certeza que ouvi “arruada”…
Fui ao dicionário e procurei por tal famigerado termo e eis as conclusões:
Existe: Arruar – andar pelas ruas, vadiar, abrir ou dividir em ruas, soltar a voz (o javali), mugir (o touro); Arruado – disposto ou dividido em ruas.
Como "No match was found" (este foi o meu momento à la CSI) fui até ao sítio onde poderia encontrar a prova do crime… o site da dita rádio.
Procurei, mas não encontrei rasto do dito termo… às tantas foi mesmo cansaço e arruada é produto da minha imaginação.
Arruada é um termo parido de uma campanha saída directamente da caixa geral das aposentações, sem inspiração, sem juventude, sem ideias ou ideais que movam este povo que ainda espera por alguém… nem que seja uma imagem em cima de uma oliveira.
Arruada é uma gralha menor numa campanha que espelha o grande nó que este país tem atado à volta do pescoço, que já nem me deixa engolir certos sapos.
Vivemos num país-aquário, que de tão pequeno que é somos forçados a baralhar as cartas e a voltar a dar e mesmo assim o jogo continua a estar viciado. Vivemos na sala de espera do centro de saúde, queixando-nos da artrose no joelho, de angina de peito… esquecendo-nos que esta jovem democracia não tem idade para ter tantos males.
Gostava de viver no país da Meritocracia, dos Bons e dos Justos, da Verdade e da Decência.
Não foi para isto que se fez o 25 de Abril!??!!!

A Costureira

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006






Um belo dia, estávamos a cozinhar e a dizer mal... como às vezes as gajas fazem... e lembrámo-nos que devíamos partilhar o nosso espírito reaccionário que o resto da comunidade.
Aquele não foi um jantar qualquer, foi um jantar de comemoração à nossa amizade. O curso tinha terminado, o verão estava praticamente no fim e as ideias fervilhavam-nos nas cabecitas, uma loira e outra morena.Entre o cortar da cebola e do colocar o azeite na frigideira fez-se luz.

Um blog!Para contar histórias, para fazer corte e costura....E não é que é uma ideia engraçada! Até o nome podia ser relacionado com corte e costura.... hum fazer malha...

Mas não uma malha qualquer, era preciso uma tricotadeira e uma costureira, ambas especializadas em malhas, para grandes obras. Camisolas quentinhas e confortaveis era o nosso lema. Nada de muito penduricalhos, nem lantejolas, mais linhas e menos acessorios. E assim, se começou a cozer as primeiras linhas desta obra.

Assim surge o Tricot e Malhas Soltas! Para soltar energias e também a língua!Qual espírito da Burda, do Lavores del Lar, do grupo de crochet do bairro... isto é que está a dar!


Costureira & Tricotadeira